quinta-feira, 17 de junho de 2010

PORQUE SIM !!!


Todos os anos vc promete p/si mesmo: Vou parar de dar tanta explicação.
Chega.
É desumano ficar o tempo todo justificando minhas ações.
Não sou mais criança.
Porém, a despeito de sua boa vontade, entra ano, sai ano e vc continua tendo que responder à perguntinha infalível por trás de tdos os seus atos: Porque?
Porque vc raspou a cabeça?
Porque vc comprou um gato e não um cachorro?
As pessoas gostam de um papo.
Decretar mudez absoluta é falta de civilidade, portanto, não custa dar umas respostinhas rápidas e evitar que o mundo desabe a sua volta.
O problema é qdo vc faz essas perguntas p/si mesmo.
Porque eu larguei a terapia?
Porque eu comprei aquela camisa espalhafatosa?
Porque eu estou triste se tudo vai bem?
É um curto-circuito cerebral.
Estamos sempre nos questionando, sempre tentando entender o que há por trás das nossas ações.
Como seria se a gente, uma vez na vida, deixasse as coisas rolarem sem tantas justificativas?
Pense o seguinte: vc tem uma razão mto forte para trocar todos os móveis de lugar, para passar a tarde inteira deitada na cama pensando na vida, para interromper a dieta e cair de boca no seu doce preferido.
A razão inquestionável e inatacável é: Porque sim.
Vc passou o ano inteiro fazendo coisas "porque não".
Vc foi a festas barulhentas e lotadas porque não queria ficar em casa sozinho.
Vc abandonou a idéia de tirar um ano sabático e viajar para a Índia porque não queria preocupar seus pais.
Vc passou o ano sorridente, bem humorado e sensato porque não esperavam outra coisa de vc.
Pois agora é um bom momento para tomar umas atitudes sem o amparo da razão.
Porque?
Vc sabe porque.
Compre uma roupa vermelha, alugue uma moto por um dia, telefone para alguém e declare-se apaixonado, mergulhe na obra de Shakespeare, pegue um ônibus e desça na última parada, compre um disco de um cantor q nunca ouviu falar, comece a praticar ioga, doe metade dos seus livros, faça uma tatuagem.
Porque? Porque sim.
;)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, Lopes, de acreditar em conto de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar um botão e as luzes apagariam e eu retomaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara, Lopes. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.


Extraído de Divã ,da autora gaúcha Martha Medeiros