sábado, 25 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

carrego muitas bagagens das quais muitas deveria ter deixado nas estações que desembarquei,
trouxe, e agora não tenho espaço na mala para coisas novas,
não consigo escolher qual será mais necessário para o futuro,
porque lembranças compõe minha ilusão chamada presente;
anseio o futuro,
remexo o passado,
esqueço o presente;
desconsiderar o passado,
me perco no presente,
não vejo o futuro.

autor desconhecido

Rita

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Qual é a idade de ser feliz?

Se eu gostaria de voltar no tempo? Ah, acho que não... Ninguém, em sã consciência, tem saudade de usar aquela sunga ridícula do uniforme de educação física do Dom Silvério. Ninguém sente falta de ser insegura. Ninguém gosta de pedir permissão aos pais pra sair. Ninguém tem saudades da aflição de ser virgem e pensar depois da primeira vez então é SÓ isso? Não, gente, tem coisas na vida que melhoram incrivelmente com a idade. E estou escrevendo esse texto porque vejo muita gente apavorada em ficar mais velha. Mulheres com crise existencial porque fizeram 30. Caramba, meninas! É, eu sei, eu sei, eu sei. Vivemos numa cultura que almeja o belo. E o novo. Eu me preocupo com tudo isso também, mas acho que não devemos esquecer uma coisa: renovar quem somos por dentro. Pode parecer clichê, mas é verdade. Chega de nos preocuparmos tanto com botox, preenchimento, lifting, pilates e anti-rugas. Chega de chorar pelos cantos porque você acha que passou da idade de começar de novo. Chega de tanto drama porque você ainda não encontrou o amor da sua vida. Ou mais realisticamente dizendo: um cara bacana com quem você possa viver seus dias. Amor não tem idade. Beleza também não. Pra cada um, a vida dá um tempo. Não é porque a sociedade nos manda um roteiro pronto (com prazo estabelecido), que iremos seguir tudo à risca. (Afinal, é isso que você quer?)
Ah, vou contar uma coisa... Depois de muitos aniversários, descobri que ganhei muito mais do que perdi. Com o passar dos anos, fiquei mais corajosa. Mais segura. Mais esperta. Mais sábia. Mais seletiva. E mais feliz. Perdi minhas vergonhas. Minhas inseguranças (não todas, mas muitas delas). E perdi também o medo de dizer o que penso. E o que eu penso? Ah, pessoal, a mulherada anda boba demais! Vamos parar de nos importar tanto com faixa etária e cabelos brancos. Vamos esquecer das equações que nos ensinaram pra ter uma vida perfeita. Vamos parar de dizer o tal tô passando da idade. Vamos nos conhecer mais. Preencher nossos vazios. Paralisar nossos medos. E nos livrar de todos os sinais que não nos fazem bem. Meninas, a plástica aqui é interna. Se está ruim, conserte. Comece tudo de novo. Aproveite que você já sabe o que (externamente) lhe cai bem. E mude. POR DENTRO. Afinal, com que cara você quer chegar aos 40?

Autora: Fernanda Mello

quinta-feira, 17 de junho de 2010

PORQUE SIM !!!


Todos os anos vc promete p/si mesmo: Vou parar de dar tanta explicação.
Chega.
É desumano ficar o tempo todo justificando minhas ações.
Não sou mais criança.
Porém, a despeito de sua boa vontade, entra ano, sai ano e vc continua tendo que responder à perguntinha infalível por trás de tdos os seus atos: Porque?
Porque vc raspou a cabeça?
Porque vc comprou um gato e não um cachorro?
As pessoas gostam de um papo.
Decretar mudez absoluta é falta de civilidade, portanto, não custa dar umas respostinhas rápidas e evitar que o mundo desabe a sua volta.
O problema é qdo vc faz essas perguntas p/si mesmo.
Porque eu larguei a terapia?
Porque eu comprei aquela camisa espalhafatosa?
Porque eu estou triste se tudo vai bem?
É um curto-circuito cerebral.
Estamos sempre nos questionando, sempre tentando entender o que há por trás das nossas ações.
Como seria se a gente, uma vez na vida, deixasse as coisas rolarem sem tantas justificativas?
Pense o seguinte: vc tem uma razão mto forte para trocar todos os móveis de lugar, para passar a tarde inteira deitada na cama pensando na vida, para interromper a dieta e cair de boca no seu doce preferido.
A razão inquestionável e inatacável é: Porque sim.
Vc passou o ano inteiro fazendo coisas "porque não".
Vc foi a festas barulhentas e lotadas porque não queria ficar em casa sozinho.
Vc abandonou a idéia de tirar um ano sabático e viajar para a Índia porque não queria preocupar seus pais.
Vc passou o ano sorridente, bem humorado e sensato porque não esperavam outra coisa de vc.
Pois agora é um bom momento para tomar umas atitudes sem o amparo da razão.
Porque?
Vc sabe porque.
Compre uma roupa vermelha, alugue uma moto por um dia, telefone para alguém e declare-se apaixonado, mergulhe na obra de Shakespeare, pegue um ônibus e desça na última parada, compre um disco de um cantor q nunca ouviu falar, comece a praticar ioga, doe metade dos seus livros, faça uma tatuagem.
Porque? Porque sim.
;)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez seja este o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, Lopes, de acreditar em conto de fadas, de achar que a gente manda no que sente e que bastaria apertar um botão e as luzes apagariam e eu retomaria minha vida satisfatória, sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara, Lopes. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada. Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, era sacanagem. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.


Extraído de Divã ,da autora gaúcha Martha Medeiros

quarta-feira, 5 de maio de 2010

...


Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada 'impulso vital'. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como 'estou contente outra vez'."

Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Pipoca


A cidade estava em quase absoluto silêncio, parecia quatro da manhã, mas era pouco mais do que quatro da tarde. Levantei do sofá um instante, no final do primeiro tempo, para ir até a janela observar os prédios, as ruas.
Todos estavam dentro de suas "panelas", feito grãos de pipoca que ainda não estouraram, mas faltava pouco para que explodissem. Foi bem nesta hora que Kaká marcou o primeiro gol do Brasil.
A tampa da cidade se abriu e as pipocas finalmente estouraram. O povo saltou da cadeira como aquele desenho animado que passa antes dos filmes, as pipoquinhas todas em polvorosa, alegres, empolgadas. É isso, pensei: somos milhões de pipocas em ação.
Não me olhe com esta cara, juro que estou em pleno domínio das minhas faculdades mentais. É que não é fácil escrever uma coluna um dia após a estréia do Brasil na Copa, e ainda escrever a jato, porque o jornal tem que fechar a edição.
Bem que eu queria demonstrar aqui neste espaço minha perplexidade com o assassinato brutal das meninas gaúchas na Grande Florianópolis, ou falar que minha torcida pela Varig é tão grande quanto a torcida pelos Ronaldos, ou que não me espanta em nada o dono do Sofazão desejar ser deputado, só receio que ele se choque com alguns hábitos da política brasileira.
Mas um dia após a nossa primeira e suada vitória, não tenho como fugir de falar sobre algo relacionado a futebol. E já que não sou comentarista, não estou na Alemanha e me confundo até hoje com a lei do impedimento, pensei em apelar para uma metáfora, algo assim como comparar pessoas e pipocas, levando em consideração que a pipoca, alimento tão associado ao cinema, troca de assento durante a Copa do Mundo e se converte no melhor companheiro em frente à tevê.
Pesquisando sobre o tema, descobri que o milho que não estoura se chama piruá. Sabe aquele milho que sobra na panela e se recusa a virar um floquinho branco, macio e alegre? Piruá. E aí tenho que concordar com o escritor Rubem Alves, que já escreveu sobre o assunto: tem muita gente piruá neste planeta.
Gente que não reage ao calor, que não desabrocha. Fica ali, duro, triste e inútil pro resto da vida. Não cumpre sua sina de revelar-se, de transformar-se em algo melhor. Não vira pipoca, mantém-se piruá. E um piruá emburrado, que reclama que nada lhe acontece de bom. Pois é. Perdeu a chance de entregar-se ao fogo, tentou se preservar, danou-se.
Domingo aconteceu outra vez: todo mundo enclausurado dentro de suas panelas. Silêncio, tensão. O fogo foi aceso assim que o juiz apitou o início da partida contra a Austrália. A seleção foi quente o bastante para nos fazer explodir.
E para mostrar para aqueles que têm vocação para piruá que o importante na vida é reagir às emoções, e não manter-se frio, fechado, feito um grão que não honrou o seu destino.

Martha Medeiros
By Rita de Cassia





segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

"Egoísta. Guardo pra mim as palavras que não me atrevi a pronunciar, os planos descartados e os fetos de mim mesma que abortei. Poupei os outros do meu lado mais cruel e impactante, o meu lado mais insano e fascinante. Tenho tudo o que quis, tenho mais do que planejei, e mesmo assim - Egosísta! - mal vejo a hora de recomeçar. Não sei se nasci pra desempenhar o papel que me foi reservado. Tenho um bom currículo e alguns bens, mas o que é mais meu, minha maior propriedade, nunca foi declarada, minha loucura ninguém sabe onde mora, minha fé nem eu mesma sei onde se esconde."

Martha Medeiros - "Divã"

Erika

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Divã - Marthas Medeiros

A gente procura um analista em busca de definições. E depois de quase 3 anos juntos você descobre, que não há definição. Vida é falta de definição. É transitória mesmo. Agora eu entendi. Não tem a portinha certa. Não tem o mapa da mina. O mapa muda toda hora. A mina pode explodir a qualquer hora e qualquer lugar. Não é assim? Acho que eu vou te dar alta! Porque eu nunca vou estar pronta. Tudo que eu preciso é conviver bem com meu desalinho, com minha inconstância e com as surpresas que a vida traz. Ah, por falar em surpresas, estou adorando os quadros que estou fazendo. Tá sendo uma terapia pra mim. De resto Lopes, a vida continua. O sol continua manchando a minha pele, meus filhos continuam me dando trabalho. Mel Gibson? Continua firme e forte na minha imaginação. Tá rindo? É sinal que a minha vida tem graça. Porque agora eu sei, se eu tive problema um dia, não foi por falta de felicidade, não foi mesmo!